quarta-feira, 25 de abril de 2018

Em homenagem ao 25 de abril: um capítulo de A Mulher do Dia




Capítulo XXIII – Revolução em Coimbra


Tal qual Maio de 68, uma primavera estonteante, cravos brancos e vermelhos: a Revolução de Abril.

Pelo rádio assisto a seus movimentos. E não acredito que um grupo de pessoas teve a coragem de romper o tédio dos dias. Sustentar a flor do amanhã. A flor que nasce no asfalto, como escreveu o Poeta brasileiro. Nas ruas, nas praças, nas casas. No coração das pessoas. Nos atos das gentes. De Lisboa. A bela Lisboa. Ao Sul, ao Norte. Nas Ilhas. Em Coimbra. A mesma Coimbra da crise acadêmica de 69, quando o protesto estudantil se fez ouvir. A Coimbra de Antero e de Eça de Queirós.

De um sonho cultivado brotou a realidade de Abril. De uma fresta da rotina, avistou-se a mudança. Como sustentar a infelicidade diante da possibilidade de mudança? Como sofrer a resignação de um tempo mesquinho, de uma vida mesquinha diante de tudo o que sonha e pulsa e vive e ousa ser o que é? Como permanecer imóvel diante do vermelho, do branco dos cravos da Revolução de Abril?

Meus livros, minha biblioteca, minhas estantes, todos eles guardam palavras prontas a fabricar o gosto pela liberdade. Através de Fénelon, recebo os ensinamentos dados a Telêmaco, filho de Ulisses, o grande navegante; de Machado, a amargura e a ironia do mundo; de Eça, a sensualidade e a esperança; de Antero, a poesia como missão. E atravesso pontes, mares, montanhas, tempo e espaço Ouço a voz de Voltaire, Montesquieu. Divirto-me com o Cândido ou o Otimismo. Leio as Cartas Persas. Conheço os seis continentes. Aproximo-me do mundo, das mulheres, dos homens, meus contemporâneos. Recito Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Florbela Espanca, Vergílio Ferreira, Sophia de Mello Brainer Andressen. Em todos os jardins. Sou, como escreveu Drummond: do tempo presente, da vida presente. Sou também o que veio antes e o que virá depois de mim.

Pela Rádio, assisto aos estudantes de Coimbra que caminham pelas ruas. Sua juventude é muito mais do que uma idade: é uma atitude. E contagia e leva consigo a atenção daqueles que ainda não crêem em um novo dia. Abre as portas da Universidade. Semeia o novo em solo centenário.

Eu, Eduardo Machado, estou em meu quarto a acompanhar as notícias pela Rádio. Mas, meu pensamento encontra-se com todos os que sonharam e com todos os que constroem a quinta-feira de Abril.

sábado, 31 de março de 2018

Sobre Mulheres, Cultura e Política


   

Ontem, penúltimo dia de março, mês em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, terminei de ler Mulheres, Cultura e Política, de Angela Davis, na edição publicada em português pela Boitempo, em 2017, com tradução de Heci Regina Candiani.
É uma obra muito bem-vinda e de leitura necessária, especialmente, nestes tempos de ataques à vida, aos direitos humanos, de golpe no Brasil e de recrudescimento do fascismo em nosso país e em várias partes do mundo.
Além de defender e divulgar o feminismo e de demostrar, inclusive para quem ainda teima em não ver, a necessidade premente de combatermos o racismo, para termos uma sociedade mais igualitária e verdadeiramente democrática, fala também de literatura, de música e de fotografia, além de desenhar um importante perfil dos governos Reagan, nos Estados Unidos e a atuação desse governo em termos internacionais, governo esse que deu forte apoio ao apartheid, na África do Sul, por exemplo, num tempo também de grandes ataques aos direitos de trabalhadores e de trabalhadoras, especialmente de pessoas negras e de demais etnias não brancas e de brancos de classes menos favorecidas economicamente também nos EUA.  
A obra nos apresenta discursos de Angela Davis escritos e realizados na década de 80 do século XX, a maior parte deles proferida em Universidades, e reunidos em livro em 1989 e 1990.  
  E eu me pergunto por que tais discursos não foram, àquela época, amplamente divulgados aqui no Brasil?
  Talvez porque, no final dos anos 80 e em 1990, estávamos saindo de uma ditadura que durou 21 anos a partir do golpe civil-empresarial-militar de 31 de março/1 de abril de 1964 e vivíamos fortes reflexos da Guerra Fria e de uma política estadunidense que teimava e teima em enxergar o Brasil como quintal de sua casa.
             Voltando ao livro de Angela Davis, ele nos apresenta parte da potência do ativismo político da autora, seu estilo direto, poético, poderoso e que promove o empoderamento de nós mulheres e de todas e todos as/os oprimidos/oprimidas, especialmente, das mulheres negras, dialogando poesia e conceitos filosóficos com exemplos retirados de sua prática e nos dá a conhecer poetas como June Jordan, Nicky Finney – para citar algumas grandes poetas– e também não deixa de lembrar o nome de fotógrafos, cantores e cantoras, ativistas, intelectuais (entre eles o de Clara Zetkin) que contribuíram e que contribuem com suas ações, seus trabalho e o que ficou de seus trabalhos para a construção de movimentos que ajudaram e que ajudam a, no dizer de Angela Davis, “em alguma medida a despertar e a encorajar esse novo ativismo”.
E por falar em novo ativismo, não podemos nos esquecer que a palavra de Angela Davis teve forte influência na construção do 8 de Março de pelo menos 2017 para cá e que, em julho de 2017, Angela Davis esteve no Brasil, na UFBA, e aquele discurso, transmitido também pela internet, fomentou o ativismo, fortaleceu o feminismo e a luta contra o autoritarismo, o racismo e toda a forma de exclusão, opressão e ataque aos direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores em nosso país.
Seus discursos, divididos em três seções ( Sobre as mulheres e a busca por igualdade e paz; Sobre questões educacionais e Sobre educação e cultura), nos aproximam da África, da América Latina, como também de uma parte dos Estados Unidos progressista, não imperialista e da luta a favor do desarmamento nuclear.
Recentemente, ela assinou um documento que pede justiça para Marielle Franco, vereadora brutalmente assassinada em 14 de março de 2018, e para Anderson Gomes, também brutalmente assassinado nesse mesmo dia, no Rio de Janeiro, juntamente com Marielle 
 E em Mulheres, Cultura e Política, há um trecho de um poema de  Nicky Finney, que muito bem poderia ser hoje dedicado também à Marielle Franco:

Eles sempre colocam as mãos
primeiro nas mulheres
fazem isso para ganhar a vida
fazem para provar seu ponto de vista
arrancando o coração
sempre fica um buraco
grande o suficiente para as balas
se infiltrarem

eles batem
nas mulheres gentis bravias
primeiro
e quando eles fazem isso
eles não sabem
que estão tocando rocha [1]
  
Marielle Franco também era ativista e suas palavras, suas ações, seu sorriso forte, poderoso e bondoso contribuíram e contribuem para o processo de empoderamento de muitas mulheres da classe trabalhadora, inclusive e sobretudo das mulheres negras, e ela, como suas palavras e sua energia, continuam e continuarão vivas entre nós, agora e sempre!
Quanto aos discursos de Angela Davis, assim como Marielle Franco, são semente de um mundo mais igualitário, fraterno, livre, justo, sem machismo, sem racismo, sem lgbtfobia, sem imperialismo, sem qualquer forma de opressão, porque não haverá nem opressores nem oprimidos e, sim, seres humanos que viverão, plenamente sua humanidade, enfim, em liberdade, em igualdade, em fraternidade, inclusive em harmonia com os demais seres que habitam a Terra em comunhão com o Cosmos.




[1] Trecho de um Poema de Nicky Finney citado como epígrafe de um discurso de Angela Davis intitulado: Quando uma mulher é uma rocha: reflexes sobre a autobiografia de Winnie Mandela, publicado em Mulheres, Cultura e Política. São Paulo: Boitempo, 2017, p. 89.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

A propósito de “Caravanas” ou salve, Chico Buarque, por nos brindar com poesia, mas também por nos fazer ver o óbvio

           Tive a oportunidade - e por que não dizer ? - a felicidade de assistir ao show de Chico Buarque, em 26 de janeiro, no Rio, no mesmo dia em que Angela Davis completou mais um ano de vida, e, coincidentemente, na mesma semana em que participei de uma banca de Mestrado, no Instituto de Letras da UERJ, a convite da Professora Ana Cristina Santos, sobre o romance O irmão alemão, do próprio Chico Buarque.[1] Parece até uma sincronicidade, no sentido de Jung, e talvez seja mesmo. É preciso também dizer que neste dia 26/01, ao final do espetáculo, o nome do ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva foi ovacionado pela quase totalidade do público que lá estava.
          “Caravanas”, título do show e do novo álbum de Chico Buarque, é obra de um artífice da palavra e da melodia que, acompanhado da banda e do conjunto de pessoas que torna o show e o álbum possíveis, nos proporciona uma viagem a um espaço/tempo de grande beleza e de resgate de vivência de sons, de gestos, de histórias de liberdade e de libertação e de uma MPB de extrema qualidade, que nos faz lembrar que não foi em vão tudo o que foi construído em termos de lutas por cidadania, por democracia, por direitos sociais, por uma educação de qualidade para todos e todas.
            Naquele palco, que preserva algo de mágico, como a maior parte dos palcos, mas que também revela uma face muito familiar, a figura de Chico Buarque em pessoa, iluminada por luzes que desenham cenários de vários feitios e cores, além da presença de uma hélice que parece lembrar um cruzeiro do sul (talvez uma homenagem aos nossos irmãos e irmãs da América Latina presentes em forma de canções àquele espetáculo)  está a grande poesia dos menestréis, dos cantadores, dos poetas, dos escritores de vários tempos e estratos da nossa língua e de línguas que nos são também próximas.
         Naquele palco, se encontra o que seguramente é parte do que de melhor se produz e se produziu do que orgulhosamente chamamos de Música Popular Brasileira.
         E o Rio está presente nas letras que ecoam naquele cenário.
     “Onde o chão acaba e principia toda a arrebentação?”, pergunta uma das belas canções de “Caravanas”. Certamente também onde podemos encontrar histórias de resistência e de construção de nossa identidade que não cabem na foto que as elites tão mesquinhas querem nos impingir e fazer com que acreditemos que fora do seu enquadramento não há possibilidade de vida digna nem de aposentadoria sqn.
         Curiosamente, a palavra caravana, segundo o Dicio, dicionário online, “vem do persa e significa povo ou exército”.[2] E o show de Chico parece também dialogar com esses sentidos ao fazer uma homenagem à periferia ou ao colocar, no centro naquele palco, na entrada da zona sul, a zona norte, os chamados suburbanos, o “malandro que chacoalha no trem da Central” e os desfavorecidos de uma política desenvolvida por uma burguesia ciosa em se manter a todo o custo no poder mesmo cultivando e alimentando as engrenagens do subdesenvolvimento ad aeternum. Além disso, “Caravanas” também dialoga com outros shows e álbuns de Chico Buarque e tal diálogo é consubstanciado com a presença de canções como “Vitrines”, “Palavra de Mulher”, “Geni”, “Retrato em Branco e Preto”, “Sabiá” que, a maior parte delas, de uma forma ou de outra, dão voz a minorias, a excluídos, a exilados e nos remetem, algumas delas, aos festivais e à forte lembrança de uma época marcada por um outro golpe, o militar-civil-empresarial de 1964, mas também uma época em que foi construída uma forte luta contra a ditadura, luta essa de que não se eximiu o grande compositor carioca.
      “Caravanas” nos faz ainda lembrar da virtuosidade de um Machado de Assis que em “O Alienista”, por exemplo, não se furta de promover, para usarmos uma palavra de hoje, o empoderamento de pessoas e de culturas excluídas (Lembrei-me também de Lima Barreto, de Walter Benjamin, de Brecht e de tantos e tantos autores que dialogam com a riquíssima obra de Chico Buarque, um artista brasileiro e do mundo).
       Tem razão Flávia Oliveira, citada pela querida Ana Virgínia Pinheiro, a supercompetente chefe do setor de Obras Raras da Biblioteca Nacional (RJ), numa postagem no Face: “Na cultura, a resistência”. Sim, nos temerosos e esdrúxulos e revoltantes dias que se sucederam e que se sucedem ao golpe, a cultura não deixou de promover resistência, assim como muitos movimentos sociais e sindicados, por exemplo, que não deixaram de promover resistência inclusive à tentativa de acelerada destruição de tantos e tamanhos sonhos e atos de construção de um Brasil verdadeiramente democrático, igualitário em que não há lugar para oligarquia, racismo, misoginia, lgbtfobia, meritocracia e tudo o mais que atrela o país ao atraso, à desumanização, ao desrespeito à vida que tornam pesados os dias de hoje, mas ainda há grandes e corajosos artistas como Chico Buarque que insistem em nos lembrar que temos uma grande tradição que se mantém viva e ativa, hoje, uma tradição de busca de liberdade, de beleza da nossa língua, da nossa música, de luta pelos direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores, enfim, de nossa dignidade de viver. Só lamento que os ingressos sejam tão caros, o que restringe muito o público que pode assistir a (e participar d)esse grande e fundamental espetáculo que é “Caravanas”.


        



[1]  Título da dissertação: O pacto ambíguo em O irmão alemão: uma autoficção de Chico Buarque. Autoria: Jhonatan Rodrigues Peixoto da Silva.Orientadora: Professora Ana Cristina Santos. Participou também da banca a Professora Anna Faedrich que tem importantes trabalhos sobre Autoficção.

[2] www.dicio.com.br (Acesso em 03/02/2018).

Foto tirada por Susana Ferreira. 

domingo, 24 de dezembro de 2017

Uma pequena contribuição para a escrita de uma retrospectiva de 2017 ou, como escreveu Mayakovsky: “é preciso/ arrancar alegria ao futuro”

              Neste Natal, viajei com minhas filhas mais novas para Ouro Preto, terra de muitos sonhos e projetos de liberdade, para recarregar minha capacidade de ter esperança.
Definitivamente, 2017 não está sendo e não foi um ano fácil.
Estamos vivendo os efeitos do golpe.
Direitos conquistados por trabalhadoras e trabalhadores, após muita resistência e luta, estão sendo destruídos e ameaçados.
A universidade pública e os demais segmentos da educação pública, no seu geral, também vêm sendo impiedosamente atacados. Vejam o que o governo do PMDB (MDB) está fazendo com uma das melhores universidades do país, a UERJ, que, neste ano, promoveu, entre outros importantes eventos, a excelente palestra de Boaventura de Sousa Santos.
Sobre a maior parte dessa destruição e desses ataques, eles foram e são desferidos por um governo que não passou pela aprovação das urnas. Um governo que podemos seguramente chamar de ilegítimo. Contudo, muito recentemente, pudemos ver a gigantesca e emocionante resistência de nossas irmãs e de nossos irmãos portenhos à tentativa de aprovação de uma reforma da previdência, na Argentina, pelo governo Macri. E, hoje, estamos vendo, através da Internet, a continuada resistência dos argentinos e das argentinas – apesar das poucas notícias que nos chegam da mídia tradicional, à reforma aprovada à força por lá. Também não podemos esquecer que, neste ano de 2017, houve, no Brasil, a maior greve geral que já ocorreu em nosso país até os dias de hoje: a do dia 28 de abril. Além disso, 2017 é também o ano do primeiro centenário da Revolução Russa, assim como da publicação da segunda edição de Recordações do escrivão Isaías Caminha, primeiro romance publicado por Lima Barreto, e da primeira greve geral que ocorreu aqui no Brasil.   
Sobre a Revolução Russa e sua relação com as artes, foram realizados excelentes eventos como, por exemplo, na Universidade Federal Fluminense, com apoio da ADUFF SSind, o "Cinema soviético de mulheres", organizado pela professora Marina Tedesco.  Houve também, sobre a Revolução Russa, publicações e a encenação da peça “Dez dias que abalaram o mundo” pela Companhia Ensaio Aberto, sob a direção de Luiz Fernando Lobo, no Galpão da Utopia, no Rio de Janeiro.
             A respeito de Recordações do escrivão Isaías Caminha, foi publicada pela EDUSP, uma edição crítica desse romance. Ela foi organizada por Carmem Lúcia Negreiros de Figueiredo, professora da UERJ (sim, a UERJ resiste!) e por aquela que escreve estas linhas. Uma de nossas maiores preocupações foi estabelecer o texto crítico do romance e divulgar uma nova leitura, feita por Carmem Lúcia, sobre a importância e a modernidade da obra de Lima Barreto, especialmente do romance em questão. O evento foi promovido pela área de Literatura Brasileira da FFLCH-USP e organizado por Ricardo de Souza Carvalho (USP) e Carmem Negreiros (UERJ/LABELLE) . E não podemos nos esquecer que Lima Barreto foi o escritor homenageado por uma das feiras literárias mais prestigiosas do Brasil: a FLIP, que, neste ano de 2017, contou com  um  um número expressivo de escritoras.
           Sobre a greve geral de 1917, foi realizado, pelo cineasta Carlos Pronzato, neste ano de 2017, um documentário que estou com muita vontade de assistir.
 E voltando a falar em literatura e em escritoras, em 2017, aconteceu o primeiro encontro nacional do Mulherio das Letras, movimento de mulheres ligadas à literatura. Foi em outubro, em João Pessoa (PB), nos dias 12, 13, 14 e 15.
Não pude participar do evento em João Pessoa, mas dele participaram muitas escritoras e ele, com toda a certeza, fortaleceu o Mulherio das Letras a nível nacional.  
A ideia da formação do Mulherio partiu de Maria Valéria Rezende e surgiu da necessidade de modificar o cenário de produção, divulgação e publicação literárias, em nosso país, ainda fortemente marcado pelo predomínio de uma engrenagem que dificulta a produção, publicação e divulgação da literatura escrita por mulheres.
O Mulherio hoje conta com quase 6 mil integrantes e há Mulherio das Letras em várias partes do Brasil e até mesmo fora do Brasil.
          Em 2017, o Mulherio das Letras Rio também foi constituído e realizou seu primeiro sarau. Foi a partir de um convite de Ana Claudia Gondim. Participamos de um sarau na feira Molieres, em Paquetá, no dia 10 de dezembro, coincidentemente, dia do nascimento de Clarice Lispector e dia internacional dos direitos humanos.  
         Nesse mesmo dia, houve contação de história para crianças e adultos, lançamento de livro, exposição e venda de livros e a apresentação do Baque Mulher que contagiou a todas e todos com muita energia positiva, vital, que podemos também chamar de axé. Tudo isto antes do Sarau do Mulherio.
Do sarau participaram: Angela Carneiro, Carmem Moreno, Cátia Moraes, Daniela Ribeiro, Solange Padilha, Cátia Moraes, Carmem Moreno, Christiana Nóvoa, Daniela Ribeiro, Sol Carvalho, Solange Padilha, Taís Victa e eu. Ana Maria Santeiro, também do Mulherio, estave presente assistindo ao sarau.    
Foi um momento muito especial, de emoção em alta voltagem.
Agradeço a todas e todos que contribuíram para a realização daquele momento e faço votos que aquele seja o primeiro de muitos e muitos saraus do Mulherio das Letras Rio, que, em 2017, já havia participado de uma mesa de escritoras, no IV Seminário de Crítica Textual do Laboratório de Ecdótica da UFF, o Labec-UFF, intitulado: "Autoras, Autores e Livros: gênese e transmissão textuais". Da mesa, fizeram parte: Solange Padilha, Eliana Mara, Marta Barcellos e Lucia Bettencourt. Deste evento, que é realizado anualmente, também participaram pesquisadores, pesquisadoras ligados à produção ou ao ensino de literatura, assim como a assuntos relacionados à preservação, recepção e divulgação de textos. Sobre esse evento ligado à crítica textual, escreverei oportunamente. Digo ainda que o Labec-UFF, iniciou, a partir de uma ideia de Marcelle Leal, um ciclo de palestras sobre Simone de Beauvoir, neste ano de 2017, ano em que Angela Davis veio ao Brasil e proferiu uma importante palestra na UFBA, Tal ciclo sobre a autora de O segundo sexo e outras muitas obras contou, por exemplo, com a presença de Ronaldo Lima Lins, que, na palestra de abertura, apresentou um panorama sobre o Existencialismo na França, na Segunda Guerra e no pós-guerra.
 Bem, falta dizer muito mais sobre 2017, mas agora é época de Natal. Nesta época, costumo lembrar-me de quando eu era criança e minha mãe me contava histórias sobre uma paz e um amor que se espalhavam por tudo e por todos os seres viventes da Terra. Hoje, minha mãe não está mais aqui, mas lembro-me de suas palavras e ainda penso no Natal como uma época que não condiz com desigualdades, exclusões, fome, exploração nem desespero, nem, pasmem, consumismo. Aliás, nenhuma época deveria condizer com desigualdades, exclusões, fome, exploração, desespero e consumismo.
 Podemos efetivamente contribuir para que ocorra uma mudança no mundo em direção a um sistema em que os seres humanos sejam mais humanos e que o amor e a paz protejam e guardem a vida na Terra. Espero que, em 2018, mais e mais pessoas acordem para esta necessidade e a arte e a literatura têm um papel muito importante neste caminho de mudança: o de ajudar a reinventar a esperança na vida e em nossos semelhantes para que possamos inaugurar um tempo de verdadeira fraternidade e  de verdadeira alegria.